segunda-feira, setembro 27, 2004
Filme com Hitler 'humano' lidera bilheteria alemã
Der Untergang (que pode ser traduzido como "A Queda", mas ainda não tem título em Portugal) atraiu 480 mil espectadores em sua semana de estréia, de acordo com a Constantin Film, responsável pela distribuição.
O filme mostra uma faceta humana de Hitler, mas também seu lado diabólico, nos 12 últimos dias de vida.
Dois jovens neo-nazistas, um de 29 e outro de 27 anos, foram presos durante a exibição do filme num cinema na região leste de Berlim depois de fazerem a saudação nazista e baterem palmas durante o filme.
A narrativa de Der Untergang se desenrola sob o ponto de vista de Traudl Junge, que era uma das secretárias do ditador em Berlim.
Também é baseado em relatos de um livro que tem o mesmo nome do autor alemão Joachim Fest.
O ex-chanceler alemão Helmut Kohl disse que o filme é uma forma de os mais jovens se lembrarem do horror de Hitler. Críticos do filme, entretanto, dizem que ele divide opiniões sobre o ditador.
Já está acertada a distribuição do filme em toda a Europa continental e no Japão, mas os produtores também querem que ele seja exibido na América do Norte e na Grã-Bretanha.
domingo, setembro 26, 2004
Einstein
Que trabalhos eram esses? A resposta, infelizmente, o grande físico levou consigo. A tentativa de desvendar este segredo obriga-nos a pisar no instável solo das suposições, permissões e lembranças de testemunhas, em cuja absoluta veracidade não se pode confiar. Mas não atualmente já não existe outro caminho. Sabe-se que Albert Einstein agia ativamente contra a criação e desenvolvimento de armas nucleares, trabalhando neste interim, principalmente nos últimos anos de sua vida, na criação da Teoria do Campo Único? . A idéia básica era reunir numa única equação a inter-relação de três forças básicas: eletromagnética, gravitacional e nuclear. Mais do que isso, uma inesperada descoberta exatamente neste campo é que levou Einstein a queimar o seu trabalho. Mas, pelo jeito, as autoridades militares americanas conseguiram utilizar parte das descobertas do grande físico, ainda antes que ele percebesse a sua periculosidade.
Foi realizada uma experiência cujos resultados foram realmente trágicos. A proposta inicial não demonstrava nada inesperado. O mundo estava em guerra e os militares tentavam de todas as maneiras fazer seus aviões a navios imperceptíveis aos aparelhos de detecção do inimigo. Surgiu a idéia de criar um campo eletromagnético de tal tensão que fizesse os raios de luz enrolar-se num casulo, tornando o objeto invisível para o homem e para os instrumentos. Os cálculos foram entregues a Einstein, o maior especialista teórico neste campo.
Depois se seguiram acontecimentos que se tornaram um dos maiores mistérios do século XX. Em 1943, na Filadélfia aconteceu uma misteriosa história, ligada ao destróier "Eldridge". Mas, o que aconteceu?
O navio, no qual, de acordo com a versão existente, forma instalada "geradores de invisibilidade" não somente desapareceu do campo de visão dos observadores e dos radares, mas pareceu cair numa outra dimensão e surgiu após um certo tempo com a tripulação em estado de semiloucura. Mas o principal, pelo jeito, não está no desaparecimento do navio, mas nas misteriosas conseqüências que a experiência transmitiu à tripulação do destróier. Com os marinheiros começaram a acontecer coisas incríveis: alguns pareciam "congelar" - saíam do andamento do tempo real, outros simplesmente "dissolviam" no ar para nunca mais reaparecer...
As histórias sobre o misterioso acontecimento eram passados de boca em boca, acrescentando cada vez mais detalhes incríveis. E quando a Marinha dos EUA apresentaram um desmentido a todos os boatos sobre esta experiência, muitos pesquisadores consideraram-no uma falsificação. E existem fundamentos para tanto. Foram encontrados documentos que confirmam que do ano de 1943 até o ano de 1944 Einstein constava na folha de serviço do ministério da Marinha em Washington. Apareceram testemunhas que viram pessoalmente como desaparecia o "Eldridge", outros tiveram em mãos os cálculos executados pela mão de Einstein, que possuía uma caligrafia bastante peculiar. Até foi encontrado um recorte de jornal daquela época que informava sobre marinheiros que desembarcaram do navio e desapareceram diante de testemunhas...
Infelizmente, tudo isso pode ser posto em dúvida, porque não se encontrou o principal - os documentos. Muito poderia ser esclarecido pelos diários de bordo do "Eldridge", mas eles desapareceram misteriosamente. De qualquer modo, a todos os pedidos os pesquisadores receberam a resposta: "...encontrar e, conseqüentemente, colocar à vossa disposição, não é possível. Enquanto que os jornais de bordo do navio de acompanhamento "Fureset" foram completamente destruídos por ordens superiores, mesmo que isto seja contra todas as normas... Os manuscritos do grande físico possivelmente também poderiam explicar para onde e como desaprecia "Eldridge" mas Einstein não quis deixá-los para nós.
Os céticos contestavam: "...O navio não podia passar para outra dimensão, mesmo porque não existem outras dimensões além das nossas naturais". Se tudo fosse assim tão simples...
Atualmente para os cientistas já é um axioma a afirmação que o espaço distorcido, fechado num colapso gravitacional, forma uma assim chamada "esfera de Schwartzshield", ou "buraco negro" o qual pode conter o universo inteiro. Poucos sabem que o acadêmico A.D. Sakharov, assim como Einstein, dedicou muitos de seus trabalhos à cosmologia. Infelizmente, o seu trabalho chamado "Modelo de Universo de Multicamadas", foi publicado em 1969 com pouquíssima tiragem e outros artigos dedicados às propriedades do espaço distorcido não são acessíveis ao leitor comum. Nestes artigos Sakharov reconhece que ao lado do Universo visível existem muitos outros, muitos dos quais com características substancialmente diferentes... Nos tempos atuais a idéia de mundos paralelos já é aceita. E não são poucos os cientistas que afirmam que é possível entrar lá sem viajar ao Cosmos. É possível penetrar nestes universos sem sair da Terra, "furando" o espaço com um potente aparelho energético.
Nemesis, a estrela companheira do Sol
Isto significaria que uma vez em cada 30 milhões de anos esta hipotética estrela companheira do Sol iria passar pela Nuvem Oort (uma nuvem hipotética de proto-cometas a uma grande distância do Sol). Durante esta passagem, os proto-cometas na nuvem de Oort seriam espalhados. Algumas dezenas de milhares de anos mais tarde, aqui na Terra nós iríamos notar um aumento dramático do número de cometas que passam no sistema solar interior. Se o número de cometas aumenta dramaticamente, também aumenta o risco de a Terra colidir com o núcleo de um destes cometas.
Ao examinar o registo geológico da Terra, nota-se que cerca de uma vez em cada 30 milhões de anos ocorreu uma extinção de vida em massa na Terra. A mais conhecida desses acontecimentos em massa é, evidentemente, a extinção dos dinossauros há cerca de 65 milhões de anos. A teoria prediz que haverá outra extinção em massa dentro de 15 milhões de anos.
Esta hipotética "companheira da morte" do Sol foi sugerida em 1985 por Daniel P. Whitmire e John J. Matese da Universidade da Luisiana do Sul. Até recebeu um nome, Nemesis. Um facto bizarro da hipótese de Nemesis é que não existe qualquer evidência de uma estrela companheira do Sol. Não precisa de ser nem muito brilhante nem muito massiva. Uma estrela muito mais pequena e fraca do que o Sol seria suficiente, mesmo sendo uma anã escura (o corpo planetário sem massa suficiente para começar a "queimar hidrogénio" como uma estrela). É possível que esta estrela exista num dos nossos catálogos de estrelas fracas sem alguém ter notado algo de peculiar, nomeadamente o enorme movimento aparente dessa estrela contra o fundo de estrelas mais distantes (isto é, o seu paralaxe). Se Nemesis fosse encontrada, poucos iriam duvidar que esta é a principal causa de extinções em massa periódicas na Terra.
Em 1987, Whitmire e Matese sugeriram um décimo planeta a 80 UA com um período de 700 anos e uma inclinação de talvez 45°, como alternativa à hipótese de "Nemesis". No entanto, de acordo com Eugene M. Shoemaker, este planeta não poderia ter causado a chuva de meteoros que Whitmire e Matese sugeriram.
Nemesis também é uma noção de poder mítico. Se um antropologista de uma geração anterior tivesse ouvido uma história como esta, o livro de ensino resultante iria sem dúvida usar termos como 'primitivo' ou 'pre-científico'. Considere esta história:
Há outro Sol no céu, um Sol Demónio que não conseguimos ver. Há muito tempo, mesmo antes do tempo da bisavó, o Sol Demónio atacou o nosso Sol. Caíram cometas, e um terrível inverno atingiu a Terra. Quase toda a vida foi destruída. O Sol Demónio já atacou muitas vezes. Irá atacar de novo.
É por isto que alguns cientistas pensaram que esta teoria era uma anedota quando primeiro a ouviram - um Sol invisível a atacar a Terra com cometas parece uma ilusão ou um mito. Merece um pouco mais de cepticismo por essa razão: nós estamos sempre em perigo de nos auto-iludir. Mas mesmo que a teoria seja especulativa, é séria e respeitável, porque a ideia principal pode ser testada: encontra-se a estrela e examina-se as suas propriedades.
No entanto, a existência de Nemesis não é muito provável. O Satélite Astronómico por Infravermelhos (Infrared Astronomical Satellite - IRAS) examinou todo o céu no espectro infravermelho distante (IR). No entanto, não encontrou qual evidência de uma estrela que correspondesse à descrição de "Nemesis."
Nave espacial movida a luz solar
Não deixa de ser uma atitude corajosa. Afinal, a NASA e a ESA (Agência Espacial Européia) possuem projetos de construção de espaçonaves chamadas de "veleiros solares", em fases adiantadas de desenvolvimento. Além disso, a maioria dos cientistas afirma que elas irão funcionar.
A Cosmos-1 será lançada a bordo de um antigo míssil soviético, construído na época da Guerra Fria. O míssil é um SS-N-18, construído para ser lançado de submarinos. No fim da guerra fria, o acordo de desarmamento feito entre a então União Soviética e os Estados Unidos previa a destruição desses mísseis, a menos que eles recebessem alguma missão civil. Foi aproveitando essa oportunidade que nasceu o projeto da Planetary Society. O custo do lançamento, feito a partir do reaproveitamento de um míssil em desuso, será apenas uma fração do que o seria se se utilizasse um lançador comercial. Além disso, levando uma carga de apenas 40 quilos, os engenheiros esperam que o foguete possa facilmente atingir uma órbita entre 800 e 1.000 quilômetros de altitude.
Os veleiros solares necessitam estar em órbitas altas, entre 600 e 800 quilômetros de altitude, dependendo da densidade da atmosfera. A densidade da atmosfera, por sua vez, é função dos ventos solares. O vento solar segue ciclos previsíveis de 11 anos de duração. Em 2.003, estamos no auge de um desses ciclos, o que significa que a Cosmos-1 deverá atingir uma órbita de pelo menos 800 quilômetros de altitude para que seu vôo possa ter sucesso.
Essa relação tem levado vários veículos de comunicação a divulgar informações incorretas sobre o princípio de funcionamento dos veleiros solares. O vôo a vela solar não acontece por impulso dos ventos solares. Ele deverá ocorrer, se a teoria se mostrar verdadeira, aproveitando a reflexão da luz solar. Quando os fótons atingem as enormes "velas" da nave, ela é impulsionada pela energia fornecida pelo choque dos fótons da luz solar contra o finíssimo material de suas velas, uma espécie de espelho refletor.
Os fótons não possuem massa, mas possuem momento. Os cientistas, pelo menos os que acreditam no vôo solar, prevêem que o fóton perderá energia ao se chocar contra a superfície espelhada da vela da espaçonave. Esta energia é que será suficiente para movimentar a nave no ambiente de vácuo, sem atrito, do espaço.
A teoria está de acordo com a lei de conservação de energia. Mas o professor Thomas Gold afirma que os engenheiros estão se esquecendo da termodinâmica, a disciplina da física que estuda as transformações e as interconexões entre dois tipos de energia quando um trabalho é realizado. Em entrevista à revista New Scientist, Gold afirma que o problema é que as velas da espaçonave são projetadas para serem espelhos perfeitos. E quando fótons são refletidos por uma espelho assim, eles não sofrem qualquer queda de temperatura. Segundo a regra de Carnot, continua o professor, se não há alteração na temperatura quando os fótons são refletidos, é impossível extrair-se qualquer energia que possa ser utilizada para movimentar a espaçonave.
Os alertas do professor Gold não são, obviamente, compartilhados por toda a comunidade científica. Se o fosse, os projetos de veleiros solares certamente não teriam saído da prancheta. O tempo dirá quem tem razão. E não é tanto tempo assim, já que a Cosmos-1 deverá entrar em órbita em setembro. Mas, com certeza, a polêmica atrairá para a Cosmos-1 também os olhos dos físicos teóricos, interessados em mais uma prova de uma teoria estabelecida, ou em indicações de que, quando se trata de luz, as coisas não funcionam exatamente como quando se está tratando de matéria.
A Rússia já lançou experimentos baseados no princípio do vôo solar a vela, ainda no tempo da estação espacial Mir. Mas os protótipos nunca atingiram a altitude necessária para que o vôo solar funcionasse, o que fez com que os próprios engenheiros russos descartassem suas experiências como provas de que o vôo a vela solar não funciona.
Mesmo as apostas sobre a Cosmos-1 são arriscadas, embora toda a comunidade científica mundial esteja de olho em seus resultados. O projeto já teve vários acidentes e adiamentos. Ao contrário dos projetos das agências nacionais ou internacionais, como a NASA e a ESA, o projeto Cosmos-1 está sendo bancado por uma entidade privada, com um orçamento extremamente apertado. Talvez isto possa ser utilizado a seu favor, caso o projeto não funcione. Os cientistas deveriam então aguardar um outro teste, feito com naves construídas sem estas limitações de orçamento e com o estado da arte em cada uma de suas peças, como as que serão feitas pelas agências espaciais governamentais. Por outro lado, a Cosmos-1 poderá ficar definitivamente na história, caso funcione mesmo com todas as suas limitações. Neste caso, ela merecerá os aplausos mesmo dos céticos.
Link: www.planetary.org/solarsail/
Colonizaria Marte?
Há duas razões para essa confiança. A primeira é que as viagens espaciais não devem ficar muito mais tempo somente por conta de órgãos governamentais, como a NASA. Diversas empresas também querem participar do jogo, financiando a exploração dos planetas e satélites do sistema solar. De imediato, o prémio que elas esperam é a possibilidade de explorar o turismo extraterrestre, levando cidadãos a hotéis flutuantes que serão construídos em torno da Terra, ou mesmo na Lua e em Marte.
Estima-se que a indústria espacial já mobilize perto de 150 bilhões de dólares. Esse número está crescendo muito rapidamente e deverá duplicar nos próximos cinco anos. A construção de naves para um voo tripulado a Marte é o alvo prioritário da grana nova que vem por aí.
O segundo motivo para acreditar que vamos habitar Marte é científico e ficou mais forte com o anúncio, este ano, de que ainda existe água correndo no subsolo, não muito abaixo da superfície do planeta. "Com isso será mais fácil transformar Marte num mundo mais agradável, por meio de um processo chamado de terra formação", disse à SUPER o astrónomo Christopher McKay, da NASA. A ideia é levar para o planeta vizinho fábricas de gases que uma vez emitidos se acumulem na atmosfera, aquecendo-a. Entre esses produtos estão o CFC, usado nas geladeiras, e o metano, gerado pelas plantações de arroz. Há ainda o gás carbónico, mas ele não precisa ser fabricado porque constitui 95% do ar marciano.
McKay estima que em apenas 100 anos esse trio gasoso daria a Marte o conforto de uns 15 graus Celsius, em média. O calor, em seguida, derreteria a água que existe nos pólos e no subsolo, em forma de gelo. A descoberta de que também há água líquida, não muito profunda, só aumenta as chances de encher o planeta de lagos e pequenos oceanos. Como diversas plantas se sentem em casa nesse ambiente, Marte trocaria parte de sua típica cor de ferrugem por vários tons de verde.
Só não é possível dar ao vizinho dois traços do cenário terrestre. Um é a gravidade: os futuros visitantes do planeta terão que se acostumar com um peso 40% menor do que o que têm aqui. Isso pode até ser divertido, pois, com essa leveza, dar saltos de 2 metros de altura já não será privilégio de atletas olímpicos. Eles, aliás, deverão saltar o equivalente à altura de suas casas. O outro aspecto, o da falta de oxigénio, é mais chato. Mesmo daqui a um século todo mundo terá que levar máscara e tambor de oxigénio se quiser dar um passeio nas ruas. As casas terão que ser estanques, sem vazamentos, e com boas reservas do gás vital. "Teremos de esperar 1 000 anos até que as plantas absorvam gás carbónico e exalem oxigénio na quantidade suficiente", afirma McKay. Estudioso do assunto há dez anos e confiante na terra formação, McKay diz que ela depende apenas de um primeiro passo. "Só precisamos da decisão de colonizar Marte."
quarta-feira, setembro 22, 2004
Ensinamentos de Buda
"A Verdadeira Crença: é a crença de que a Verdade é o guia do Homem;
A Verdadeira Resolução: ser sempre calmo e nunca fazer dano a nenhuma criatura viva;
A Verdadeira Palavra: nunca mentir, nunca difamar ninguém e nunca usar linguagem grosseira ou áspera;
O Verdadeiro Comportamento: nunca roubar, nunca matar, e nunca fazer nada de que uma pessoa possa mais tarde arrepender-se ou envergonhar-se;
A Verdadeira Ocupação: nunca escolher uma ocupação que seja má, tal como falsificação, manejo de coisas roubadas e coisas semelhantes;
O Verdadeiro Esforço: procurar sempre o que é bom e afastar-se do que é mau;
A Verdadeira Contemplação: ser sempre calmo e não permitir-se pensamentos que sejam dominados pela alegria ou pela tristeza;
A Verdadeira Concentração: consegue-se quando todas as outras regras forem seguidas e uma pessoa tenha atingido o nível da paz perfeita".
Entrevista com Dalai Lama
Que balanço faz desta primeira visita a Portugal?
Tinha três objectivos. A promoção dos direitos humanos, a promoção da harmonia religiosa e, em terceiro lugar, é minha responsabilidade e dever, como tibetano, falar do Tibete. Fiquei muito satisfeito com os encontros com o público. Na terça-feira de manhã estive em Fátima. Já visitei vários lugares sagrados de diferentes religiões, sempre como peregrino. Estive em Jerusalém duas vezes e em Lourdes, em França. Agora fui a Fátima. A imagem de Maria é tão bonita, é comovente. Não reparei logo. Estava já a afastar-me quando olhei para trás. Subitamente algo extraordinário me chamou a atenção. Foi assim. [Solta uma risada].
Está desapontado por não ter podido discutir a questão tibetana com o governo português?
Não. Portugal é membro da União Europeia. Como um todo, a UE apoia a causa tibetana. A minha visita a Portugal não é oficial, mas cultural e espiritual.
Neste momento o mundo não é um sítio particularmente pacífico. Como é possível tornar o mundo melhor?
[Ri-se]. Quando falamos de violência ou de paz temos que ter uma perspectiva global. É muito claro que há um anseio forte e um desejo sério de paz na mente das pessoas, sobretudo dos jovens. No século XX, nas I e II Guerras Mundiais, os cidadãos juntaram-se massivamente aos esforços de guerra com um grande entusiasmo. Este estado de espírito, claramente, já não existe no mundo. Mesmo num país comunista, como a China, não existe esse estado de espírito. Esta é uma grande mudança. A não-violência está a crescer por todo o lado. É claro que é muito triste haver guerra no Afeganistão. Mas a forma como estão a ser conduzidas as acções militares é única. Por um lado estão a utilizar-se bombas, mas por outro existe uma extrema precaução para não causar baixas civis. Nas outras guerras, na I, na II, no Vietname, na Coreia, não foi assim. A atitude mudou. Isso é positivo.
Não seria melhor não bombardear sequer o Afeganistão?
Logo a seguir aos ataques terroristas de 11 de Setembro, escrevi uma carta ao presidente Bush, onde expressava a minha solidariedade e tristeza, mencionando que é absolutamente justo e correcto pôr termo ao terrorismo, mas de forma não-violenta. As coisas não correram assim, infelizmente. No período inicial da guerra, eu estava em Estrasburgo e aí expressei a ideia de que os métodos violentos são sempre imprevisíveis. Uma vez iniciada a violência, as coisas podem facilmente ficar fora de controlo. Hoje, a situação no Afeganistão parece-me algo positiva, sobretudo depois de ter visto muitos afegãos saudar a derrota dos talibãs. Portanto, há alguma justificação, mas, ainda assim, a violência é triste, causa sofrimento.
O que pode o mundo fazer pela causa tibetana?
A solidariedade para com o Tibete está a aumentar em todo o mundo. A longo prazo, a preocupação da comunidade internacional e o impacto da opinião pública exterior ao Tibete produzirão, possivelmente, resultado. Mas no imediato, a China mostrar-se-á mais agressiva. [Ri-se].
Acredita que haverá possibilidade de diálogo com a China?
Ainda recentemente as autoridades chinesas lamentaram que tivesse utilizado a palavra "ocupado", referindo-se ao Tibete.Estou completamente empenhado, não na independência, mas numa autonomia genuína. Na nossa perspectiva, o Tibete é uma nação separada da China. Por isso, uso a palavra ocupação. Os nossos amigos também. A América e a União Europeia, todos consideram que o Tibete é uma terra ocupada.
Afirmou que viveria para ver o Tibete livre. Como pensa que isso vai acontecer?
A compaixão e a não-violência bastarão?A China é uma grande nação em processo de mudança. O comunismo já não é a ideologia do Estado, que está muito mais orientado para a economia de mercado, mas o sistema totalitário mantém-se sem a ideologia comunista. É uma situação peculiar. Mas a China, mais cedo ou mais tarde, terá que acompanhar a tendência global dos direitos humanos, da democracia, da liberdade de informação. A pergunta é: quando? Cinco, 10, 20 anos? Ninguém pode dizê-lo. Supondo que são 20 anos. Terei 86 anos. Ainda é possível ver o Tibete livre [ri-se]. Dentro da própria China há hoje chineses budistas e intelectuais críticos da política do seu governo, e têm-nos transmitido a sua solidariedade. O Tibete e a China terão que encontrar-se a meio caminho e a comunidade internacional pode ajudar nesse processo.
Dalai Lama em Portugal
Novembro 2001
Um simples peregrino em viagem espiritual - "um eu neste corpo tibetano", como se designou a si próprio a certa altura, com uma risada bem disposta. Foi assim que o Dalai-Lama se apresentou ontem a uma Aula Magna cheia, a deitar por fora (literalmente), e maravilhada, para a conferência pública "A mente e a ciência", organizada pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, no derradeiro dia da sua visita a Portugal. Antes de entrar no tema, e afinal para o introduzir, o líder tibetano aludiu aos actos terroristas de 11 de Setembro, para mostrar como "o conhecimento, a inteligência e a tecnologia, associados a emoções negativas, podem ter consequências tão trágicas". Expressando-se em inglês, o Dalai-Lama estabeleceu a diferença entre o que a ciência sabe sobre coisas tão longínquas como o espaço, o universo ou os planetas, e o que não sabe, afinal, sobre algo que nos é tão próximo: o cérebro. E a mente. "Será que a mente é uma entidade separada do cérebro?", questionou-se.
Acabaria por responder durante a conferência com a própria explicação budista sobre a mente. "Não há outra forma de o fazer para um budista", disse, explicando que passaria a falar tibetano a partir daí. Assim fez.
Fazendo um sobrevôo sobre a forma como a sabedoria budista considera a consciência e os seus diferentes níveis - algo que está intimamente ligado às emoções e ao equilíbrio entre as emoções positivas e negativas - o líder espiritual tibetano considerou que as emoções são justamente uma forma de aceder à mente. Como? Investigando as origens dos sentimentos negativos e cultivando a bondade e a compaixão. "Um coração bondoso não se compra no supermercado", disse, arrancando uma gargalhada à audiência.
Na sabedoria budista, a natureza da mente, que nenhum obstáculo pode obstruir e que é portanto contínua como o espaço, é "experiencial, luminosa e não física". Ou seja, existe num determinado nível ligada ao corpo e ao cérebro, mas existe também para além deles. Na sua língua materna e com uma seriedade particular, explicou que "o nível de consciência mais subtil acontece logo após a morte", rematando que "há quem se refira ao budismo como uma ciência da mente".
No fim, falando de novo em inglês, e voltando à sua maneira particular de pontuar as frases com pequenas gargalhadas, teve ainda tempo para aconselhar: "Se encontraram algo de útil no que ouviram, façam uso disso. Se não, vão para casa, fiquem mais quentinhos e esqueçam o que eu disse". A julgar pelo ambiente no final, o encontro com o Dalai-Lama não será facilmente esquecido pelos milhares de pessoas que estiveram na Aula Magna para o ver e ouvir.
Dalai Lama
Na época, Sua Santidade foi seguido por 80.000 tibetanos. Hoje, há mais de 120.000 no exílio. Desde 1960, o Dalai Lama reside em Dharamsala, Índia, conhecida como "Pequena Lhasa", a sede do Governo Tibetano no exílio. Ganha o Prêmio Nobel da Paz de 1989, em reconhecimento pela sua campanha pacifista para acabar com a dominação chinesa no Tibet.
Em 1989, o Prêmio Nobel da Paz
A decisão do Comitê Norueguês de outorgar o Prêmio Nobel da Paz de 1989 a Sua Santidade, teve apoio e aplausos de todo o mundo, com exceção da China. A citação do Comitê afirma o seguinte: "O Comitê enfatiza que o Dalai Lama é merecedor desse prêmio por sua campanha pacifista pela autonomia do Tibet. Ele sempre diz que a solução pacífica baseada na tolerância e respeito mútuo é a única forma de preservar a história e a herança cultural de seu povo."
No dia 10 de dezembro de 1989, Sua Santidade aceita o prêmio em nome dos oprimidos e também daqueles que lutam por um mundo de Paz para o povo tibetano. Ele disse na ocasião: "O prêmio reafirma nossa convicção de que com a verdade, coragem e determinação como nossas armas, o Tibet será libertado. Nossa luta deve ser sem violência e livre de ódio."
Um simples monge budista
Sua Santidade costuma dizer, "Eu sou um simples monge budista, não mais, não menos."
Sua Santidade vive como um verdadeiro monge budista. Mora numa casa de campo em Dharamsala, Índia; acorda às 4 da manhã para meditar, em seguida põe em dia a sua agenda, dá audiências privadas e inicia os estudos religiosos e práticas cerimoniais. Ele termina o dia com muita oração. Falando de sua grande fonte de inspiração, freqüentemente cita um verso favorito, retirado dos ensinamentos seculares do sagrado Shantideva Budista:
Enquanto existir o espaçoEnquanto persistirem os seres sencientesQue eu também vivaPara dissipar as desgraças do mundo.
Budismo tibetano
O budismo tibetano surge no fim do século VIII, da fusão das tradições budista e hinduísta com o xamanismo. Seu chefe espiritual, o dalai lama, é considerado um bodhisattva (em sânscrito, o ser destinado à iluminação, o Buda da Compaixão).