domingo, setembro 12, 2004
Por ti
Lenta, morte lenta a partir do dia que te vi.
Vida em declínio pelo que um dia senti,
Toda uma morte por uma vida que sinto que não vivi.
Pensamento abstracto por uma distracção feliz,
Abstracção dum mundo que nunca me quis.
Pensamento num sonho que me deixa voar,
Pensamento na vida que não me deixa sonhar.
Todo um sentimento por aquilo que nunca tive,
Sonho de todo o ser que realmente vive.
Toda uma vida perdida por aquilo que chamam amar,
Amor de uma vida que não se chegou a concretizar.
É esta a minha dor por não saberes que te amo,
E que cada vez que sofro é por ti quem chamo.
sábado, setembro 11, 2004
Alguém...
Cuja vós sem eco
só o silencio escuta
Alguém
Em cujo peito
Bate um coração de nada
no pulsar desconsertado
De um troço de saudade
Alguém
apenas o som que se perde
de passos incertos
Em alguma estrada
Para aquem do universo
Num instante
Para além do tempo
Alguém apenas...
O fugitivo
porque olha para trás inquietado?
será soldado? vagabundo?
criminoso? ratoneiro?
será apenas o primeiro
dos que vão fugir com ele?
foge p'ra salvar a pele
só a sua? a pele dos outros?
a pele clara ou a escura?
quanto tempo vai durar a sua fuga?
quanto dura? o que espera?
o que espera o homem- fera
se chegar a quem o espera?
alguém o quer? alguém se acende
alguém o chora?
alguém por quem ele chorou
chorará por ele agora?
alguém que nunca o trairá
e se sim, onde será?
Um homem luta contra o sangue
que derrama
e diz: valeu a pena?
(...)
Um homem luta contra o sangue
que derrama
em que cama
terá ele o seu repouso?
está ansioso?
e como não?
não estaria quem pisasse
um desconhecido chão?
não estaria de garganta afogueada
quem por nada
assim fugisse?
quem por tudo suplicasse
dai-me forças, dá-te forças
a ti próprio te confias
dá-te alento, dá-te tempo
dá-te dias
sobrevive de agonias
respirando sobrevives
sobrevive
(...)
Porque insiste?
porque teima?
não há pânico na rua
não há fogo no quintal
labaredas? só nas camas
dos amantes
já distantes
chegam ruídos, utopias
quanto vale uma utopia?
vale tudo? quanto vale?
um homem corre na noite
é uma imagem banal
O que fez o fugitivo? porque corre?
se está vivo é porque morre
se morrer é porque o matam
se o matarem
será justo?
(...)
porque corre o fugitivo nessa estrada?
E agora para para agora
o homem para
para agora para agora
será que sente que chegou a sua hora?
(...)"
Sérgio Godinho
Untitled
Levemente amargurado
A tua boca cerrada
Quando uma palavra só bastava...
Já o mundo foi posto de lado.
Assim... um delírio, uma loucura, devaneio
De querer não mais ser mortal
Abrir asas e voar, fugir de mim... como do mal
Encontrar um exilio do teu sorriso
Do qual procuro fugir... e friso
Que obrigada
A tua só imagem, num só instante
Aquela que entrou de rompante em mim
Ficará perdida nos despojos das guerras passadas
E o meu delirio será mais uma das imagens
[devastadas]
Que se misturam na bruma adiante
Na escuridão dos versos que escrevi.
Talvez na solidão da fuga
A minha sina se altere e o real se instale
E a luz da minha alma se cale
E volte para a vaga das ondas do mar.
São Horas...
Nas incompletas horas e instantes que se entrepõem entre mim e o presente que a vida me trouxe, ficaram tantos sonhos perdidos que também já lhes perdi a conta. Encontrei ares, perfumes, cores que me segredam ao ouvido que se perderam no passado, e se desfazem; porque, no fim, sao os desperdicios da vida que passou. Só queria entender os momentos exactos em que os meus sonhos se tornaram lembranças. Porque talvez o que sinto agora, o que sou, tornar-se-à somente mais um fragmento que vou esquecer.
Houve sonhos... sonhos que se perderam na estrada que nos leva para toque gélido da realidade. Uma estrada de um só sentido - na qual não se pode caminhar se não para a frente. Mas no deserto em que me encontro agora, por vezes estas ilusões, estas miragens confiam-me segredos que nada fazem se não sentir aquela vontade... aquele misto de saudade do passado com a certeza que o mesmo nos vai acompanhar para o resto dos nossos dias. Aquelas palavras adocicadas palavras submissas a um brilho no olhar - um carinho directamente ao coração. E pensei novamente nos designios do amor, quando vivia para saciar a sede de ti: De (te) ouvir, (te) sentir, uma leve obcessão confiada no destino. Mas jamais cri no destino, e se ele existisse, provaria a sua existência ao castigar-me, ao privar-me das horas que não escolhi. E o que mais me dói é que a saudade e a lembrança vêm temperadas de uma áspera especiaria; picante e doce, mas que corroi a alma por dentro como o acido corroi a madeira verde, por dentro, escorro em lágrimas: e o meu paladar detecta uma leve pitada do meu amor por ti, ao provar esta água salgada.
De qualquer modo... acaricio o céu, e o chão e as cores do inverno que ultimamente se dissipam no ambiente de festa que se vive a minha volta; que pouco a pouco me convida a sorrir, e me conquista. Agarro agora o destino (no qual não- ainda não acredito) e tenho-o na palma da minha mão. Não importa se sim, se não. Horas... são horas em que já não vale a pena depositar pensamentos.
Horas. Horas em que penso em nada mais se em ti.
segunda-feira, setembro 06, 2004
Pioneer10
Em 2 de Março de 1972, partiu numa missão de dois anos a Jupiter e possivelmente a Saturno, se tudo corresse bem. Com um plano tão ambicioso, Pioneer foi bem baptizada. Embora os Estados Unidos e a União Soviética tenham enviado sondas a Marte, Pioneer 10 e o pessoal da sua missão em Ames Research Center da NASA seriam os primeiros a atravessar o cinto de asteroides em direcção aos planetas gigantes. P10 atingiu esses objectivos com um sucesso espectacular e ainda mais quando se aventurou para mais longe, sondando e medindo os limites exteriores do nosso sistema planetario. Ela passou a orbita de Neptuno (na altura o planeta mais afastado do sistema solar) em 1983 começou a procurar pela "heliopausa", o limite do nosso sistema solar. Entretanto P10 sempre transmitiu dados, "escrevendo para casa" mesmo quando se aproximava do espaço interestelar.
O sinal da P10 consistia num "transportador" e "bandas laterais". O transportador estava constantemente ligado e concentrado na frequencia, um teste ideal para os nossos detectores de ondas continuas. As bandas laterais continham dados e portanto seriam mais complexas, dando portanto um bom teste aos nossos detectores de sinais de impulso.
Portanto, quando chegou a altura de determinar como funcionava o prototipo do detector SETI da NASA, bastava procurar pela Pioneer 10. E encontramo-la, em Venus ... no deserto.
Desde essa altura em que observamos outras sondas usando outros telecópios e duas gerações de detectores de sistemas, sempre favorecemos o sinal da Pioneer 10. Sempre que lançavamos um novo telescopio, ou testavamos um novo algoritmo de detecção, a Pioneer 10 era a nossa referencia.
Quando o Projecto Phoenix começou a utilizar duas antenas bastante afastadas uma da outra para poder diferenciar os sinais terrestres, observações diárias da Pioneer 10 mostraram que nós realmente poderiamos detectar sinais extraterrestres e diferencia-los de interferencias terrestres. Pioneer 10 fez parte do Projecto Phoenix desde 1995. Irá ser estranho e triste durante as nossas futuras sessões de observação saber que um dos membros da nossa equipa não estará presente.
Trinta e um anos depois da sua missão de cinco anos, a Pioneer 10 silenciou-se. Os seus sinais cairam gradualmente nos ultimos anos. Uma por uma as suas experiencias foram acabadas. E então um dos componentes chave do seu transmissor falhou. Só conseguia responder quando recebia um forte sinal de referencia da Terra. Finalmente, os niveis de energia eram tão baixos que a experiencia final foi acabada. Com nada a reportar, não havia razão para continuar a transmitir o sinal de referencia. A Pioneer 10 irá silenciosamente entrar no espaço interestelar, em direcção á constelação de Touro.
Quem sabe, se um dia, a Pioneer 10 falará outra vez, mas não para a Terra. Preso á sua lateral está uma placa que mostra um homem e uma mulher, e a localização da Terra, uma mensagem do nosso planeta para qualquer civilização que a encontre. Nunca mais o correspondente distante. P10 transformou-se no silencioso mensageiro da Terra para mundos longinquos na fase final da sua vida.
Adeus velha amiga
Impacto Profundo!!
Até há alguns anos, ninguém pensava que a Terra estaria em perigo de ser atingida por um cometa ou um asteróide. Mas o impacto do cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter mostrou que os impactos ainda acontecem no Sistema Solar. Aliás, há alguns anos encontrou-se uma cratera gigante (com quase 150 km) na costa mexicana, e as provas indicam que esta cratera foi causada por um impacto de um asteróide que matou os dinossauros há 65 milhões de anos atrás. Por isso, de repente, a Terra já não parece ser tão segura.
Qual será o mais perigoso, um asteróide ou um cometa ?
Os cientistas pensam que a maior ameaça virá dos cometas. Ambos fariam a mesma quantidade de estragos. Mas os asteróides orbitam o Sol perto da Terra, e sendo assim podemos utilizar telescópios para os procurar, e depois usar computadores para calcular as suas órbitas milhares de anos para o futuro. Se a Terra parece estar em perigo de ser atingida por um asteróide, provavelmente terá centenas, se não milhares de anos de aviso, o que nos dá muito tempo para arranjar uma boa solução.
Os cometas, por outro lado, passam a maior parte das suas órbitas muito longe do Sol (até um par de anos-luz de distância), e estão muito distantes para serem vistos por telescópios. Sendo assim não conseguimos encontrar cometas até que viajam ao sistema solar interior - habitualmente menos de um ano antes da sua passagem pela Terra. Por isso, com um cometa, teríamos apenas, no máximo, uns quantos anos de aviso de um impacto.
Quando poderemos descobrir um cometa ou asteróide apocalíptico ?
Estão a ser feitos esforços para procurar asteróides perto da Terra (os únicos asteróides que são perigosos). A busca apenas precisa de umas quantas pessoas usando telescópios modestos, e por isso isso é relativamente barata. E, num par de décadas, saberemos todas as órbitas dos asteróides mais perigosos. Só assim, teremos algumas centenas de anos antes do impacto.
Como foi dito anteriormente, com os cometas teremos apenas poucos anos de aviso.
O que podemos fazer para impedir que colida com a Terra ?
É ainda incerto. Existem muitas ideias que variam entre pôr um motor de um foguete num asteróide (se soubermos a órbita do asteróide com muita antecedência, um pequeno motor de um foguete pode evitar o desastre), até tentar usar uma bomba nuclear para forçar o cometa/asteróide a mudar a sua órbita. No entanto, conhecemos tão pouco sobre os cometas e os asteróides que ainda não sabemos como mudar as suas órbitas.
Uma coisa é certa, no entanto - rebentando um asteróide ou um cometa em pedaços NÃO irá proteger a Terra. Quer o asteróide seja uma grande rocha ou centenas de pequenas pedras, continua a ter a mesma quantidade de energia, e toda essa energia iria bater à mesma na Terra (conservação do momento linear e da energia mecânica). Uma chuva súbita de milhares de milhões de meteoros aqueceria tanto a atmosfera que morreríamos todos assados!
Quando se pensa que o próximo pequeno asteróide, meteoro ou cometa irá atingir a Terra e causar um desastre local, e também os maiores?
Os meteoros grandes o suficiente para provocar estragos a uma escala local provavelmente atingem a Terra mais ou menos duas vezes por século. Nós não notamos estes acontecimentos, porque os meteoros caem no oceano 3/4 do tempo. Em meados de 1910, algo explodiu no ar acima de Tunguska, Sibéria, destruindo árvores num raio de muitos quilómetros e matando algumas pessoas. Se esse objecto tivesse atingido, por exemplo, Nova Iorque (parece que este local é um íman de desastres), toda a cidade seria completamente destruída. Felizmente, a percentagem da Terra que é coberta por pessoas é muito pequena, por isso os impactos mais localizados não fariam muitos estragos.
A razão de impactos grandes o suficiente para causar catástrofes globais é desconhecida. As estimativas variam entre um em vários milhões de anos até um em algumas centenas de milhões de anos. A única coisa que se pode dizer de certeza é que os asteróides e cometas ATINGEM a Terra. Mas sabemos que estes acontecimentos são raros, porque as extinções em massa na Terra são raras (e apenas umas quantas mostram sinais de terem sido causados por impactos).
Quanta verdade existe nos dois filmes mais conhecidos sobre este assunto (Armageddon e Deep Impact)? Por exemplo, poderiam as autoridades tentar tapar isto?
O filme "Deep Impact" é muito mais cientificamente exacto que "Armageddon". Nós sabemos que os cometas existem e que são uma ameaça, mas nenhum asteróide do tamanho do objecto em "Armageddon" existe no nosso Sistema Solar.
Nós, como humanos, iremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir tal impacto no nosso planeta e para nos protegermos se não o pudermos prevenir. É muito difícil um acontecimento destes ser tido como secreto pelos governos - existem muitas pessoas a olhar para os céus e a descobrir asteróides e cometas, e as preparações em larga-escala necessárias para proteger a Terra envolveriam também muitas pessoas, pessoas demais para guardar segredo.
As hipóteses de um impacto de um asteróide ocorrer na nossa esperança de vida são EXTREMAMENTE baixas. Os custos de procurar tais potenciais perigosos asteróides e cometas são também baixos - uns quantos milhões de Euros por ano, ou um cêntimo por cada homem, mulher e criança no planeta. Por isso, desde que tenhamos um olho bem aberto ao céu, não há necessidade de nos preocuparmos com um impacto de um asteróide. É como viver numa zona de terramotos - nós SABEMOS que um grande terramoto irá ocorrer algures daqui a algum tempo, mas não deixamos o medo controlar as nossas vidas. Tomamos as devidas precauções, e quando chegar, a maioria das pessoas estará preparada. O mesmo deve ser aplicado ao impacto de um asteróide, com a excepção que os impactos ocorrem, muito, muito menos frequentemente que os terramotos. Se nos prepararmos e tivermos planos de contingência, não há razão para viver com medo. Temos a habilidade de detectar o perigo e de nos protegermos dele - apenas precisa de muito pouco tempo e dinheiro e alguns miolos.
SETI
During this same time frame, Guglielmo Marconi had been working hard to make the use of radio practical for distant communication. In 1901, Marconi was able to send a signal across the Atlantic from England to Canada. Though the frequency Marconi was operating at is far too low to penetrate the cosmos, this accomplishment proved radio communication to be worthy of future use in attempting to communicate across worlds. Marconi had now paved the way for the beginnings of SETI.
SETI Begins:
Using the principles already established by Tesla and Marconi, the beginning of SETI on a purely scientific level began with the thoughts of two Cornell physicists, Guiseppe Cocconi and Philip Morrison. In 1959, Cocconi and Morrison published an article in Nature in which they claimed that communication with nearby stars was possible using modern technology. Realizing that our galaxy is much older than our solar system, the two understood that civilizations could exist that are much older and more advanced than our own. With this in mind, it seemed logical that these societies might have the use of electromagnetic waves to communicate with other star systems such as us. In order to locate these societies, Cocconi and Morrison suggested the use of large radio telescopes aimed at these nearby stars. But at what frequency would one expect intelligent species to use as a signal?
Cocconi and Morrison concluded that 1,420 MHz, the frequency that neutral hydrogen gas produces natural radio static, would be the most logical choice. Since hydrogen is the most common element in the universe, it made sense to assume that distant intelligence would take close note of this frequency on their telescopes, and potentially use it for interstellar communication.
Coccini and Morrison hoped their ideas would spur the interest of many radio astronomers. After approaching many English astronomers but generating little interest, American astronomer Frank Drake stepped to the forefront. Drake, who had been working at the Green Bank radio observatory in West Virginia, had reached many of the same conclusions that Coccini and Morrison made public. Using their principles, Drake began Project Ozma in 1960, his privately run, two-week search for 1,420 MHz radio signals. Drake targeted his telescope at two nearby (12 light years away), Sun-like stars in Tau Ceti and Epsilon Eridani. In addition to this, many world-renowned scientists came together for a meeting at Green Bank in 1960 to discuss the possibility of life elsewhere in the universe. Both Morrison and Drake were in attendance along with the famous Carl Sagan and Nobel Prize winning chemist Melvin Calvin. Among other issues discussed, the Drake equation was created at this meeting, which put SETI in a quantifiable context, rather than one of speculation. The compilation of such a respected group of scientists proved to the world that the search for life in the universe was no longer an embarrassing hobby, but a legitimate and important project.
Though Project Ozma failed to generate conclusive evidence of extraterrestrial signals, it undoubtedly spawned NASA’s development of more sophisticated SETI programs. NASA eventually developed specialized receiving systems that attached to older radio telescopes. By 1992, NASA was fully into their SETI project. However, only one year passed before Congress voted to bring the program to a halt. Congressional leaders began to believe that too much money was being put into these NASA projects, which yielded few results. The patience of Congress has obviously been quite thin. Nicholas Friedman Gavin Cree
A equação de Drake
Como podemos estimar o número de civilizações tecnologicamente evoluídas, aptas a se comunicarem conosco ? Trabalhando como rádio-astrônomo no Observatório Nacional de Rádio Astronomia em Green Bank, West Virginia, o Dr. Frank Drake criou um método para limitar as variáveis envolvidas no cálculo de civilizações tecnológicas que podem existir na nossa galáxia.
A Equação de Drake, como viria a ser conhecida, foi apresentada por Drake em 1961 e identifica fatores específicos que definem uma regra de desenvolvimento destas civilizações.
Embora não exista uma solução única para esta equação, ela é uma ferramenta largamente aceita pela comunidade científica. À medida em que a tecnologia avança, aumenta a assertividade em relação aos valores aceitáveis para as variáveis da equação. Abaixo, analisaremos detalhadamente cada fator.
N = R * fp * ne * fl * fi * fc * L
Multiplicando-se os termos da equação, teremos como resultado o número estimado de civilizações existentes na nossa galáxia, aptas a se comunicarem conosco ou com outras civilizações. A importância da Equação de Drake é maior devido as questões que são formuladas para encontrar valores para as variáveis do que o próprio resultado em si. Obviamente o grau de incerteza deste resultado ainda é muito grande, mas a tendência é que seja diminuido à medida que aprendemos mais sobre Astronomia, Biologa e outras ciências.
domingo, setembro 05, 2004
Os Cavaleiros Templários - Os Herdeiros Das Tábuas Da Lei
Fonte comum dos espíritas e maçons
A exterminação sistemática de uma enorme comunidade religiosa, com sábias regras ditadas por São Bernardo de Claraval (Bernard de Calirvaux), é realmente um fenômeno fora do comum. Depois de terem sido os "Cavaleiros Pobres de Cristo", heróicos defensores dos peregrinos da Palestina, os templários passaram a representar um poder militar, político e religioso, gozando de alto respeito durante dois séculos.O Problema dos templários é, para o estudioso, antes de mais nada, um problema arquival. É claro que uma grande quantidade de dossiês se perdeu, extraviados de propósito, ou guardados em arquivos inacessíveis para o pesquisador. Além disso, nada parece contradizer a opinião de que os próprios cavaleiros do templo, acusados de bruxaria e culto ao demônio, no último momento antes do ataque de Felipe, o Belo, em 13 de outubro de 1307, destruíram os arquivos juntamente com os documentos de contabilidade e administração, ou talvez esconderam-nos em lugar tão seguro que até hoje não foi encontrado. Permanece a pergunta sobre o que aconteceu com os enormes capitais em moeda sonante de que a Ordem dispunha.Aparentemente, a ciência histórica já explorou quase por completo a Idade Média. Entretanto continuam a existir não só esse mas muitos outros problemas que indiscutivelmente, não foram ainda resolvidos. E é evidente que os templários nos legaram o maior entre os enigmas do chamado "período negro" da Idade Média.Neste artigo, apresentamos ao leitor a hipótese político-esotérica baseada no livro Les Mystères de Templiers, de Louis Charpentier, pesquisador que apresenta soluções alternativas que a ciência acadêmica não alcança. De acordo com sua interpretação, podemos ver no processo de amadurecimento da "Novela dos cavaleiros" a primeira estrada dos espíritas e maçons, construída paralelamente ao súbito e inexplicável aparecimento da arquitetura gótica naquele tempo.A própria existência da Ordem dos Templários é também um fenômeno misterioso, cuja origem constitui-se objeto de muitas dúvidas. Teria tido a Ordem, fundada durante a Primeira Cruzada, a única intenção de defender os peregrinos da Cidade Santa contra a intolerância e crueldade dos turcos que mantinham em seu poder o túmulo de Jesus? Ou o estabelecimento de um poder religioso no Oriente Próximo não foi apenas uma desculpa para a aquisição de conhecimentos esotéricos, não divulgados na Bíblia e guardados secretamente no templo de Salomão, onde primeiro se instalaram?
O mistério da arca da aliança
Segundo Charpentier, a fundação da Ordem não seria o resultado de uma iluminação, na idade de 58 anos, de Hugo de Paganis (Hugues de Payens) e seus companheiros, mas de um plano cuidadosamente elaborado por Bernardo de Claraval, do qual as atividades desses homens corajosos faziam parte. Naturalmente, a presença de um poder religioso-militar no Oriente Próximo lhe interessava; no entanto, isso não era o mais importante.No campo religioso, Bernardo de Claraval era, à sua maneira, um teimoso, com vontade de ferro e inteligência fantástica. Uma pesquisa histórica mais profunda provavelmente comprovaria que suas atividades eram consideradas revoltantes pela igreja. Ele não só defendia os judeus contra os progons, como também convidava escriturólogos cabalistas para trabalhar na abadia de Claraval, método pouco adequado para se fazer apreciar naquele tempo.Tudo isso estava relacionado com um desejo muito ambicioso: a redescoberta das Tábuas da Lei que se encontrariam dentro da Arca da Aliança.Após o término da construção do templo de Jerusalém, Salomão levou a Arca para lá. O templo era a casa do Senhor, edificado por Salomão, para a eterna habitação do Senhor, com a presença da Arca e das Tábuas da Lei como testemunhas. Esses dois fatos são mencionados na Bíblia pela última vez e com precisão no I Reis, 8,9.Após uma descrição minuciosa da técnica com a qual a Arca devia ser construída, os autores da Bíblia passam a tratar esse assunto de maneira cuidadosa e esotérica. Essa cautela sugeriu a Louis Charpentier a idéia audaciosa de que há uma contradição entre a lei de Moisés - tal como é descrita no Velho Testamento e aceita pelos crentes- e o mistério que envolve toda essa história.O que significam os vários incidentes, mencionados na Sagrada Escritura, indicando ser a Arca um objeto muito perigoso e carregado de uma alta frequência estática?Charpentier levanta a hipótese de que, sob o pretexto de proteger os peregrinos, Bernardo de Claraval enviou um pequeno grupo de cavaleiros à Judéia, chefiados por Hugo de Paganis, homem a quem ninguém conseguiria desviar de seus intentos. Mas a ordem secreta era fazer uma pesquisa no Templo de Salomão, com a finalidade de recuperar a Arca e as Tábuas.No prefácio do regulamento dos templários, ditado pelo próprio São Bernardo, há uma significativa passagem referente a uma outra tarefa da Ordem, além da proteção aos peregrinos e da luta contra os muçulmanos. Ora, em 1119, o grupo consegue permissão de Balduíno I, rei de Jerusalém, para estabelecer seu centro de operação no templo./ Mas só em 1128, após a recuperação da Arca e das Tábuas, é que a Ordem Dos Templários foi fundada oficialmente, no Concílio de Troyes. Que outra tarefa seria essa, portanto, senão a recuperação dessas relíquias, então levadas para a França, protegidas por uma impressionante escolta militar?
A Verdadeira Lei Divina
O grande interesse de São Bernardo pela Arca e pelas Tábuas naturalmente não se prendia apenas ao valor religioso que elas apresentavam, mas também, segundo Charpentier, pelos capítulos mais importantes e essenciais nelas escondidos cuidadosamente e fora do alcance do público. Essa parte continha a sabedoria antiquíssima, a verdadeira lei divina participada a Moisés no Monte Sinai, ou escrita por ele mesmo com os conhecimentos que adquirira através de sua iniciação no Egito.Seja qual for o sentido esotérico dos documentos trazidos, o fato é que nas Tábuas não havia mensagens míticas ou considerações vagas que pudessem dar margem a interpretações arbitrárias. Pois a parte da lei não destinada ao público formava uma enciclopédia compacta e de natureza científica- parecida com o texto de Hermes Trismegistus contendo dados de milhares de anos antes de Moisés!Essa ciência podia ser comparada perfeitamente a um impresso político ou, ao que tudo indica, seria um manual prático para o estabelecimento do reino de Deus na terra. Dessa forma, o homem estaria garantido de receber, no momento apropriado, liberdade, justiça e segurança.
A Procura do Santo Graal
Era esse o motivo por que São Bernardo, talvez em consequência das informações dos teólogos e cabalistas judeus, e após uma pesquisa preparatória de muitas reuniões, havia dado ordens a Hugo de Paganis para conquistar a Arca e seu contudo inestimável.Sua ação era bem sistemática e não uma simples coincidência. A intenção era pôr em prática, com muito cuidado e de maneira experimental, a verdadeira lei divina, chave dos segredos do universo, para o bem da humanidade.Tal missão lembra-nos muito a procura do Santo Graal, assunto que nas décadas seguintes, passou a ter um vivo interesse na literatura ocidental.Seriam os romances do Graal uma reflexão velada do empreendimento de Bernardo de Claraval, destinados apenas a quem podia entendê-los? Ou seriam manuais de iniciação secreta dirigidos àqueles que fossem considerados maduros para recebê-la?Depois que voltaram para o Ocidente, onde foram recebidos como heróis, obtendo privilégios e honrarias da Igreja e de reis cristãos, os templários enriqueceram-se e tornaram-se a primeira e mais opulenta potência financeira da Europa, com vastíssimos domínios em Portugal, Espanha, Inglaterra, Alemanha e França. eles chegavam a formar um Estado dentro de um Estado.
O Surgimento da Arquitetura Gótica
Um núcleo, provavelmente ultra-secreto, dos templários, formando a liderança da Ordem (seria esse o pequeno grupo dos cavaleiros do Graal ?), dispunha, por meio do uso das Tábuas completas da Lei, de um conhecimento ainda hoje fora do alcance da humanidade. Por exemplo, podemos provar que os templários não só racionalizaram como também revolucionaram a agricultura.No tempo do florescimento da Ordem do templo, surgiu a arquitetura gótica. Curiosamente, esse "aparecer' foi repentino, e não resultado de um crescimento orgânico e lento. O goticismo não cresceu da arquitetura romana que o precedeu. Era algo completamente novo. Subitamente estava lá.A arquitetura romana baseia-se numa força que age de cima para baixo; a cúpula redonda pressiona com seu peso os muros e estabiliza dessa maneira a construção. Os arcos pontudos da catedral gótica baseiam-se exatamente no princípio contrário: a pressão age de baixo para cima. Enquanto uma cúpula romana pode eventualmente cair, se mal construída, um arco gótico pode explodir. Trata-se de um caso de tensão dinâmica.Resumindo, podemos dizer que os arquitetos romanos, com toda sua inteligência, aplicaram nas suas construções uma técnica pouco diferente daquela usada pelos construtores megalíticos, quando amontoavam pedras pesadas umas sobre as outras. Já a catedral gótica exige um conhecimento muito maior, assim como dados científicos, tradicionalmente recebidos ou geometricamente calculados e recalculados constantemente. Ora, isso superava amplamente os conhecimentos daquela época.Será que a eclosão de uma arquitetura inteiramente nova era o resultado de um conhecimento científico, adquirido juntamente com o segredo que Hugo de Paganis e seus companheiros trousseram quando voltaram de Jerusalém em 1128? Quem é que não sente, numa visita a Chartres, que esta construção ultrapassa o alcance das possibilidades do homem do século 12?Essa constatação é válida também para o campo financeiro. As cidades eram pequenas e o núcleo de habitantes também. Os monarcas estavam constantemente sem dinheiro e a Igreja protegia cuidadosamente seu tesouro. Os funcionários públicos eram, salvo raras exceções, bastante pobres. Logicamente podemos perguntar o que estaria atrás dessa mania de construir que consumia somas astronômicas. Não devemos procurar aí o capital dos templários?É muito provável que essas construções, surgindo de uma hora para outra às dezenas ao mesmo tempo, dentro de um curto espaço de tempo, faziam parte do projeto gigantesco de São Bernardo para o estabelecimento do Estado de Deus.
Causas da Exterminação
Continua um enigma: de onde vieram esses operários especializados, do arquiteto ao escultor ou chaveiro, num mundo de relativamente poucos habitantes ? Seja como for, nasceu uma classe de operários de construção, treinados numa técnica exemplar e fisicamente livres para, em caso de necessidade, se locomoverem de uma oficina para outra, sem problemas. Livres também mental e espiritualmente eles podiam receber uma avalancha de dados científicos e novas idéias cosmopolitas.Não era isso demais para homens que precisavam usar mais as mãos do que a cabeça?Não é sem razão que se considera essas oficinas de construtores livres (chamadas loges, em francês) como precursoras das lojas franco-maçônicas, não tanto operativas mas sim especulativas. Se quisermos ver a relação entre a Ordem do Templo e a Franco-Maçonaria, além do que se considera como folclore maçônico, podemos estabelecer o elo essencial através dos construtores medievais. E pergunta ainda se isso não fazia parte do plano esotérico do abade de Claraval, homem que não se deixava dominar por idéias convencionais.Deixando de lado as acusações de heresia, traição, magia- possivelmente , relacionadas a experimentações científicas ou alquímicas- , podemos perguntar se a exterminação trágica dos templários foi uma maneira cínica, aliás, sem muito resultado, de Felipe,O Belo, solucionar os problemas do tesouro nacional sempre vazio. A avidez do rei e o seu pânico em imaginar um poder mais forte do que a autoridade real seria suficiente para iniciar um golpe? Um golpe que apresenta uma semelhança notável com os genocídios e os assassínios de povos e raças do nosso próprio século 20?De fato, parece que os templários descobriram certos segredos. Isso, entretanto, não precisa estar relacionado com a procura da Arca da Aliança e escrituras iniciáticas que encontraram dentro dela. Pode ser que uma vez dentro da Terra Sagrada, eles tenham colecionado informações por meio de seus contatos pacíficos com maometanos e escriturólogos judeus, informações essas de um conteúdo tão desconcertante que desestruturou sua própria visão de vida.Segundo Ambelain, no seu livro Jesus ou le Mortel Secret des Templiers, devendo procurar as causas do extermínio dos templários nas suas descobertas e pesquisas em torno da figura de Jesus. Mas a descoberta de Cristo como um judeu corajoso e não conformista contra a tirania romana seria suficiente para fazer os templários desistirem de sua crença religiosa nele? Provavelmente não. No entanto, uma tal revelação (se esse autor tiver razão) não teria ficado sem consequências, mesmo se significasse apenas o desmoronamento de um mundo inteiro, para alguns.Possivelmente, podemos assumir que o núcleo secreto, mas poderoso, dos templários tinha sofrido o impacto de uma visão totalmente alterada sobre Jesus. E, mais ainda, que eles superaram esse impacto sem ter publicado nada a respeito. O que não impedia que, no princípio do século 14, tal segredo tivesse penetrado nas camadas mais inferiores do templo.Ao mesmo tempo, tinha nascido uma corrente de pensamento que, sem a menor dúvida, foi considerada como heresia pelas autoridades religiosas mundiais. Outra vez, com Louis Charpentier, pensamos que os templários chegaram aos poucos a uma consciência que naquele tempo dificilmente poderia ter sido apreciada. trata-se do fenômeno, não impossível naquele cadinho estranho do Oriente Próximo, de considerar cristãos, maometanos e judeus como filhos do único e mesmo Deus do Velho Testamento, uma opinião ecumênica e revolucionária que naqueles dias iria causar o fim da Ordem do Templo.